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VIVIANNE PASMANTER


Apesar de não ser das maiores fãs da combinação “sol e praia”, em função das inúmeras novelas que fez, a paulistana Vivianne Pasmanter acostumou-se a viver no Rio de Janeiro.

Apesar de ter formação teatral (Estudou na Escola de Arte Dramática da USP), foi na televisão que Vivianne se consagrou. Do primeiro papel em Felicidade (1990) até a mecânica Maria João de Uga Uga (2000), a atriz se destacou por viver personagens densos, por vezes rebeldes e problemáticos, mas também tímidos e sofridos. Foram sete anos seguidos fazendo novelas. Como grande incentivador, Vivianne sempre teve ao lado o autor Manoel Carlos, que a estima como uma verdadeira filha. E foi em suas novelas que ela pôde mostrar a que veio, como em Por Amor (1997), em que interpretou um de seus maiores sucessos, a vilã Laura.

Atriz versátil, Vivianne se orgulha de poder viver vários tipos. Já interpretou desde uma punk até uma “patricinha”, papel para o qual teve de ficar loira e passar por constantes sessões de bronzeamento artificial.

Em Viva Voz, ela vive a perua Mari e fica feliz de ter a oportunidade de fazer um papel cômico. Afinal, a maioria de seus personagens tem sido dramáticos. Por isso, a comédia ainda tem gosto de novidade para ela. O cinema também. Antes de Viva Voz, ela havia participado de Contos de Lygia (1998), de Del Rangel; e Deus Jr. (2000), de Mauro Lima. A partir de agora, espera poder estar presente em mais produções brasileiras.

Você sempre utiliza detalhes de sua própria personalidade para compor seus personagens (como a Maria João de UgaUga) e a adolescente rebelde Malu (de Mulheres de Areia)? O que de você há na Mari, de Viva Voz?

Apesar de incluir detalhes de minha personalidade, como a timidez e rebeldia, eu diria que me inspiro muito mais no mundo exterior do que busco o personagem em mim. A Mari, por exemplo, é uma perua. Eu conheço várias delas. Aliás, elas sempre me fascinaram. Sempre fui de ficar observando, reparando nos trejeitos, nas roupas, no cabelo. Isto me ajudou bastante a compor meu personagem.

Você já disse se considerar tímida, mas já fez papéis de mulheres extrovertidas, fortes, como a própria Mari, de Viva Voz, e a neurótica Laura, de Por Amor. É difícil compor estes personagens?

Sim e não. Sim porque elas exigem pesquisa e dedicação. Mas é ótimo poder desempenhar papéis totalmente diferentes. Fico muito feliz por nunca ter sido rotulada como “a vilã” , “a louca”, “a mocinha”. Tive muita sorte em todos os papéis que recebi até hoje.

Seus personagens costumam ser densos, papéis que se destacam por um perfil temperamental sempre estiveram presentes em sua carreira (em Por Amor você fez uma vilã e, em Uga Uga, uma durona). Você prefere assim ou também gosta de fazer comédias? Como foi fazer a Mari? A comédia é mais difícil que o drama?

Eu gosto de tudo. Na verdade, por eu ter feito pouco, a comédia ainda é mais difícil para mim. Além de Viva Voz, acho que só fiz um personagem realmente cômico. Os outros, como a rebelde Malu, de Mulheres de Areia, tinham sua dose de humor, mas não eram exagerados. Comédia ainda é um desafio para mim. Ainda é novidade. Mas é muito bom fazer.

Você tem uma formação teatral forte, já que estudou na Escola de Arte Dramática (EAD). Isso a ajuda ao fazer cinema e televisão?
Você tem preferência por algum meio? Considera-se uma atriz de TV, já que a maioria de seus trabalhos foi em novelas? Ajuda muito. Boa parte da minha experiência em compor personagens eu adquiri no teatro. Mas também aprendi muito na televisão. Apesar de ter emendado muitos trabalhos na TV, não me considero uma atriz de novelas. Gosto muito de teatro, que estou voltando a fazer após sete anos.

Então você pretende investir mais na sua carreira cinematográfica? Como é trabalhar no cinema?

Claro que sim! Com certeza quero fazer mais papéis no cinema. Aliás, só não fiz mais filmes até hoje por falta de convites. Mas espero que venham mais a partir de agora. O cinema também ensina muito. Exige muita concentração. Eu adorei participar deste longa. Só havia feito dois filmes. Quando fui chamada para fazer Viva Voz, adorei.

Viva Voz é uma comédia despretensiosa e muito ácida. Você gosta de fazer comédias? Faltam comédias adultas no cinema nacional?

Apesar de ter feito poucas comédias, eu adoro a experiência. Filmar Viva Voz foi uma ótima oportunidade de brincar muito no set. O clima era muito bom! Acho que faltam mesmo boas comédias nacionais. Eu me lembro de Sábado (de Ugo Giorgetti), que é ótimo. Mas um país como o nosso, que tem as clássicas Chanchadas no currículo, devia mesmo prestigiar mais o gênero, sem considera-lo um filão “menor” do cinema.

Como foi a experiência de fazer Viva Voz? Conte um pouco sobre o dia-a-dia das filmagens.
Foi uma delícia! Adorei! Eu recebi o roteiro, li e adorei. Quando acabei de ler, liguei para o Paulo (Morelli) e disse que faria qualquer uma das personagens femininas. Todas são muito boas. Fiquei com a Mari. Tive dificuldades normais de qualquer papel. Cinema é mais conciso que a TV, exige um poder de concentração e síntese muito grandes. Afinal, temos de contar uma boa história em menos de duas horas ao passo que na TV é possível até gravar cenas em que se escovam os dentes, por exemplo. No caso da Mari, ela fala muito ao telefone. Quando ia filmar minhas cenas, tinha que literalmente imaginar o que eles (Duda e Karina) estariam dizendo no outro lado da linha. Várias vezes tive de contracenar comigo mesma e usar muito a imaginação! Tinha de reagir a algo que nem havia sido filmado ainda. Sorte minha que o Paulo (Morelli) é ótimo! Além de ser um diretor super seguro, sabe o momento de nos deixar dar dicas, trazer novos detalhes ao personagem. O elenco, então, foi ótimo. Adorei trabalhar com o Dan, a Betty, a Graziella, o Paulo. Foi uma experiência ótima que quero repetir em breve!


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