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GRAZIELLA MORETTO


Santista, a mais velha das três filhas de um empresário e uma dona de casa, Graziella Moretto teve no pai a inspiração para se tornar atriz. Foi ele, que também é ator amador, quem apoiou e levou Graziella ao Ipê Clube, no Ibirapuera, para que ela se matriculasse no curso de teatro. Tempos depois, ela foi estudar na Escola de Artes Dramáticas da USP. Em 1996, quando se formou, Graziella decidiu que era a hora de morar fora do país. Foi ser babá em Nova York. Lá, viveu por três anos e meio trabalhando também como garçonete e telefonista de uma imobiliária. Empregos que a ajudaram a levar adiante seus cursos no conceituado Public Theatre e no estúdio The Actor´s Center.

Nas férias, Graziella voltava ao Brasil e aproveitava para fazer alguns trabalhos para a O2. Numa destas idas e vindas, foi convidada para fazer Domésticas, o Filme (2001), o primeiro longa de Fernando Meirelles e Nando Olival. Este filme tem significado especial para a atriz. Além de ser seu primeiro papel de destaque no cinema (antes havia feito uma participação em Supercolosso, O filme, dirigido por Luiz Ferrè, em 1995), foi durante as filmagens que ela conheceu o marido, Guilherme Ayrosa, técnico de som de Domésticas e de Cidade de Deus (2002). E Graziella acabou voltando para o Brasil. Foi uma escolha acertada. A atriz, que contabiliza 20 peças em seu currículo, estava até pensando em abandonar o teatro quando recebeu o convite para atuar no Terças Insanas, espetáculo de grande sucesso em que a atriz pôde criar seus próprios personagens e esquetes.

Na seqüência, Graziella foi escalada para o elenco fixo de Os Normais, da Globo. Na TV, Graziella também atuou na novela Estrela-Guia (2001) e fez participações no antigo quadro Retrato Falado, com Denise Fraga no Fantástico.

Depois de fazer Domésticas, Graziella ganhou um papel em Cidade de Deus, o da jornalista Marina Cintra. Seu terceiro filme, Viva Voz, também é uma produção da O2. No filme, ela é Karina, uma secretária que tem um caso com o chefe. Ela também poderá ser vista no papel da feiticeira Hipácia, no longa O Martelo de Vulcano, de Eliana Fonseca, inspirado no seriado infanto-juvenil Ilha Rá Tim Bum, da TV Cultura, que em breve será lançado em vídeo e dvd. Atualmente ela contracena com Ney Latorraca na novela Da cor do pecado, no papel da garçonete Beki.

Você fez muitos comerciais da O2, Domésticas, Cidade de Deus e agora Viva Voz. Como nasceu sua “parceria” com a produtora? Podemos dizer que você é a ‘estrela da casa’?

Fico muito honrada com este título (risos). Tudo começou por acaso. Fui fazer um teste para um comercial, o Fernando Meirelles me aprovou e acabei ficando. Quando morei nos Estados Unidos, sempre voltava nas férias e fazia alguns trabalhos para a O2. Em 1999, fui chamada pelo Fernando (Meirelles) e pelo Nando Olival para fazer um teste para ser a Roxane de Domésticas. Apesar de eu ter feito uma Roxane muito diferente do que eles haviam pensado, acabei sendo aprovada. Este filme é muito importante para mim, pois foi o primeiro da O2. Cidade de Deus, por exemplo, foi uma surpresa para mim. Fiquei muito feliz de ganhar um dos poucos papéis femininos do filme. E agora Viva Voz. Não poderia ser melhor.

Depois de sua participação em Domésticas e Cidade de Deus, você volta ao cinema neste ano em mais dois filmes, Viva Voz e Ilha Rá-Tim-Bum. Pode-se afirmar que você já está se tornando uma atriz de cinema?

Sim e não. Gosto de ser uma atriz independentemente do veículo em que trabalho. O grande barato é atuar, mas fico muito feliz de poder fazer cinema no Brasil. E quero continuar. Aliás, depois do nascimento da Nina, durante seis meses a minha prioridade foi amamentar e trocar fraldas. Resolvi encerrar a licença-maternidade mais cedo a convite da diretora Denise Saraceni pra fazer a Beki em Da cor do pecado. Tenho muitos projetos pra tocar: estou abrindo a minha produtora Cosmo Filmes, estou escrevendo um roteiro pra um programa de tv sobre “ser mãe”, vou produzir duas peças, um documentário sobre a Escola de Arte Dramática e pretendo aproveitar todo o material que acumulei com o Terça Insana para trabalhar num roteiro. Sempre tive vontade de escrever, principalmente para o cinema.

Um pouco por você ter feito todos estes “trabalhos paralelos”, você pode afirmar que o ofício de ator ainda é muito difícil no Brasil? Faltam boas peças, filmes para se trabalhar?

Com certeza. Nos Estados Unidos, por exemplo, há uma indústria muito forte que absorve o trabalho do ator, seja no cinema, no teatro, na TV e até em parques de diversão. O Brasil tem uma indústria televisiva forte, mas ainda tem muito o que crescer no teatro e no cinema. Posso dizer que sou uma privilegiada. Ainda mais por também conseguir fazer o Terça Insana, fruto direto da minha paixão pelo teatro.

Comente sua participação em Viva Voz. Quem é a Karina? O que há de Graziella no personagem?

Foi ótima. Como já havia trabalhado na O2, fui chamada para ler o roteiro e fazer um teste para o personagem. Adorei! E logo já estava super envolvida com a Karina. Ela tem meu bom humor. O principal motivo que me levou a fazer Viva Voz foi a oportunidade de trabalhar com a equipe do filme, os atores, a técnica, o diretor. O jogo de interpretação foi muito divertido. Costumo dizer que o grande triunfo de Viva Voz é ter uma cota de inverossimilhança que só a coerência dos atores é capaz de tornar verdadeira. Tivemos de levar o roteiro muito a sério para que a história não soasse artificial. Isso só se consegue com um elenco muito afinado. Até atores que não haviam trabalhado juntos acabaram se entrosando muito bem.

Cinema, teatro e TV são três formas de se trabalhar com a mesma matéria-prima, que é a atuação. De certa forma, por ser mais fragmentado, o cinema exige uma concentração especial. E foi ótimo ter sido dirigida pelo Paulo (Morelli) porque ele soube trabalhar muito bem isso em cena. Além disso, ele nos deu muita liberdade para que criássemos em cima do roteiro. Ele sabia o que queria, mas também sabia que podia contar com a gente.

Você é essencialmente uma atriz cômica. Te agrada ser reconhecida assim? Você quer fazer mais dramas?

Claro que sim. Para mim, comédia de maneira nenhuma é um gênero menor. Adoro fazer comédias, mas também gosto muito de fazer papéis mais dramáticos. Meu grande prazer é ser atriz. No Terça Insana, por exemplo, os papéis que criei são todos engraçadíssimos, mas criticam tudo o que acho absurdo na realidade brasileira, só que de uma maneira irônica. Isso também acontece em Viva Voz de certa forma.

Faltam comédias brasileiras no cinema?

Com certeza. Mas não acho que seja por preconceito. Como fazer cinema no Brasil sempre foi uma arte tão sofrida, muitos diretores passaram a lhe conferir uma certa sacralidade. É tão difícil produzir um filme que se acaba investindo em histórias mais densas. Como se fazer uma comédia fosse um certo desperdício de tanto esforço. Fazer cinema é uma oportunidade para se passar uma idéia. No Brasil, é uma arte muito engajada. Minha vontade é fazer um longa de personagem, estilo Mazaropi, com um dos meus personagens na Terça Insana.


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Uma Resposta para “ GRAZIELLA MORETTO ”

  1. como vai graze tudo bem

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