ENTREVISTA - PAULO MORELLI – DIRETOR

Paulo Morelli nasceu em São Paulo, em 1956, e começou a fazer filmes super-8 aos 12. Nos anos 80, enquanto cursava a Faculdade de Arquitetura, fez vídeos experimentais com um grupo de amigos. Com esses amigos, criou a produtora independente Olhar Eletrônico, que virou referência de inovação na produção independente.

Nos anos 90, junto com Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro, abriu a produtora O2 Filmes, hoje a maior produtora do Brasil. Depois de fazer comerciais e programas de TV, começou a fazer curtas e longas-metragens. Seu primeiro curta, LÁPIDE, ganhou o prêmio de melhor filme em quatro festivais, incluindo Havana, Los Angeles, Rio e São Paulo. Entre 99 e 2002, dirigiu dois longas, O PREÇO DA PAZ e VIVA VOZ.

Em 1999, foi convidado a dirigir O PREÇO DA PAZ com Lima Duarte, Giulia Gam, Herson Capri, José de Abreu, Camila Pitanga e Danton Mello. Com produção de Mauricio Appel e roteiro de Walther Negrão, o filme conta a história do Barão do Serro Azul, um homem de princípios que levou às últimas conseqüências suas convicções. No final do século XIX, o Barão pagou aos revolucionários Maragatos para que não destruíssem Curitiba. Depois, foi considerado traidor e teve sua história proibida por mais de 40 anos. O PREÇO DA PAZ fez parte da seleção oficial do Festival de Gramado de 2003.

Em 2001, produziu e dirigiu seu segundo longa-metragem, VIVA VOZ uma comédia de situações que se passa num único dia, em torno de uma única ligação de celular. Com Vivianne Pasmanter, Betty Gofman, Dan Stulbach e Graziella Moretto. VIVA VOZ ganhou o prêmio de Melhor Filme Internacional no New York Independent Film Festival. O longa será lançado em 21/05/04 pela Buena Vista International.

Filmografia
CINEMA
Lápide
O Preço da Paz (2002)
Viva Voz (2004)

ENTREVISTA

Sua paixão é contar histórias, sejam elas curtíssimas, curtas ou longas. Por que investir nas longas, já que Viva Voz é seu primeiro filme?
Porque o cinema sempre esteve nos meus planos. Eu sempre quis fazer. A publicidade foi a maneira que encontrei de chegar aonde eu quis e, ao mesmo tempo, desenvolver um trabalho gratificante e interessante.

Por que este hiato nas produções? Do curta Lápide (1997) para o longa O Preço da Paz (1999), que levou quatro anos para ser concluído, e Viva Voz (2004)? Chavões à parte, fazer cinema no Brasil ainda é muito difícil?
Não há nada mais difícil, mas nada mais gostoso. Ainda há muita dificuldade sim, muitos percalços a serem vencidos. Mas tudo é questão de tempo, de produção, de conseguir cumprir o planejado. O Preço da Paz, por exemplo, eu dirigi há quatro anos. E o produtor do filme, o Maurício Appel, está trabalhando no projeto do filme há pelo menos sete anos. Viva Voz foi filmado há três anos, mas só agora conseguimos concluí-lo.

Quais são suas mais importantes influências cinematográficas. Em quem busca inspiração?
Tenho um gosto eclético. Na infância via muitos filmes do neorealismo italiano. Assisti a filmes de Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, Bernardo Bertolucci. Gosto muito desta maneira italiana de se fazer cinema, humano e poético. Mas também adorava o Cinema Russo, de Sergei Eisenstein a Pudovski, passando por Andrei Tarkovski. Akira Kurosawa também influenciou muito meu gosto por cinema. Mais atualmente, tenho acompanhado e gostado muito do novo cinema norte-americano. Cineastas como David Fincher, Paul Thomas Anderson, entre outros. Woody Allen também é um mestre. Os novos cineastas argentinos também têm demonstrado muito talento, como Filho da Noiva (Juan José Campanella) e Nove Rainhas (Fabián Bielinsky). O México também tem produzido ótimos filmes. Amores Brutos (Alejandro González Inárritu) e E Sua Mãe Também (Alfonso Cuarón) são ótimos exemplos do bom cinema atual.

Em Lápide, você já conta a história “um dia na vida de um casal”, em Viva Voz, a história também é focada numa única tarde. Você opta por histórias aparentemente simples para contar uma grande história no cinema? Como compará-los a O Preço da Paz?
Eu diria que Viva Voz é muito mais um humor farsesco que uma comédia de costumes. Lápide, que enfoca as discussões de um casal sobre o que fazer com um jazigo recém comprado, já tem um humor mais naturalista. Nele, o toque de humor fica por conta das palavras, calcado principalmente no roteiro. Acho ótimo poder contar boas histórias desta forma, engraçada e simples. Mas também me agradam outras linguagens, como de O Preço da Paz, que é um filme histórico, que contém uma narrativa muito mais lírica.

Depois da experiência mais que bem sucedida de Cidade de Deus, pela O2 Filmes, como é lançar Viva Voz? Há muita expectativa? Muita pressão?
A pressão é enorme! Muito porque é o “próximo filho da O2”, o que causa muita expectativa. Esta expectativa é boa porque as pessoas vão parar para prestar atenção no filme, mas também causa muitas comparações. E esta comparação pode ser negativa. Afinal, meu filme é uma comédia ácida, despretensiosa. Já Cidade de Deus tem toda uma conotação social. Na verdade, acho que a recepção do público será positiva. As pessoas estão abertas para novos filmes, novas formas de se fazer cinema. Viva Voz não tem grandes pretensões. Ou melhor, a pretensão, na verdade, é grande, é falar com o público. Quer maior que esta?

A O2 Filmes decidiu investir pesado em cinema. Como vê isso? Quais são os próximos projetos? Pode-se falar numa produção contínua, haja vista Domésticas, Cidade de Deus, Viva Voz.
Claro que pretendemos continuar investindo em cinema. Ser uma produtora de cinema é uma de nossas prioridades. Se tudo correr bem, vamos ter uma produção constante de longas e curta-metragens. Particularmente, pretendo investir em novos gêneros. Meu próximo filme deverá ser um drama, em cujo roteiro já estou trabalhando.

Ao contrário de O Preço da Paz, um filme histórico, Viva Voz é um filme atual, uma comédia urbana, ácida e sem pretensões sociológicas. Você tem preferência por algum dos dois gêneros? Quais as principais diferenças entre o modo, o dia-a-dia, das filmagens de cada um?
Não tenho preferência. Como já disse, agrada-me trabalhar em vários gêneros. Mas gosto muito do chamado “drama humano contemporâneo”. É por isso que meu próximo filme deverá se encaixar neste “gênero”. Mas filmes históricos também são muito interessantes de se trabalhar. No entanto, é inegável que uma história urbana e atual é sempre uma boa receita. Por ser mais barato e por “falar melhor” com o público. Sinto falta deste tipo de filme no cinema brasileiro, que fale diretamente com o brasileiro médio. Isso o cinema argentino já faz muito bem. A classe média brasileira também precisa se ver no cinema.

O cotidiano das filmagens é bem diferente. Viva Voz foi todo rodado em São Paulo, em Pinheiros, e no estúdio, praticamente não havia figurantes. Já O Preço da Paz demandou centenas de figurantes, figurino de época, tivemos de filmar em locações belíssimas, em Curitiba e nos cânions do Paraná. O trabalho é intenso, mas o resultado compensa.

Você já havia trabalhado com Luís Branquinho (diretor de fotografia) em comerciais. Por que escalá-lo para o cinema?
Escolhi o Branquinho porque ele já tem também experiência com fotografia no cinema e não porque ele é fotógrafo de publicidade, onde a fotografia é sempre mais glamourosa, há muito contra-luz, tudo é feito para valorizar, para se destacar o fundo, para ficar bonito. Viva Voz não é assim. Nem O Preço da Paz, que é um drama histórico. Para este filme, eu precisava de um fotógrafo que dominasse a estética européia. E Branquinho utilizou uma fotografia muito sóbria, sem brilhos.

Você não teme a já habitual crítica à apregoada estética publicitária? Afinal, você é também um diretor de publicidade.
Acho um preconceito enorme julgar um diretor pelo simples fato de que ele também trabalha com publicidade. É uma crítica muito reducionista. Se uso recursos da estética publicitária é porque ela me permite contar bem uma história. Em Viva Voz, por exemplo, eu divido a tela, uso fast e slow motion. Nem por isso deixa de ser cinema. Esta é uma discussão medíocre que não leva a nenhuma conclusão. Ótimos diretores, como Paul Thomas Anderson, utilizam recursos nesta linha e nem por isso deixam de produzir cinema de qualidade. A fotografia no cinema não tem de ser necessariamente naturalista. Há espaço para todo tipo de experimentação.

Como foi, até agora, a participação de Viva Voz nos festivais? Pretende apresentá-lo em mais algum?
Tivemos ótimas participações, como no Festival do Cinema Brasileiro de Paris e no 19º Festival do Filme Latino de Chicago. Além disso, ganhou o prêmio de melhor filme internacional no New York International Independent Film & Vídeo Festival. Não fiz um filme só para festivais. Acredito que Viva Voz dialoga bem com o público.

Como surgiu a idéia do argumento de Viva Voz? Como foi a criação do roteiro?
Surgiu quando, também por acaso, ouvi a conversa de amigos meus pelo celular. Eles, assim como Duda, não sabiam que estava sendo ouvidos. Na mesma hora achei que este tipo de incidente daria um bom argumento para um filme.

DAN STULBACH

O paulista Dan Stulbach, filho de um engenheiro e uma arquiteta poloneses, prestou vestibular para medicina, engenharia e administração de empresas.

Foi aprovado em todos. Mas o curso para ele era outro: teatro. Chegou a estudar um ano de engenharia, mas preferiu parar para passar uma temporada nos Estados Unidos, onde, entre outras coisas, foi bilheteiro e pipoqueiro de um cinema.

Na volta, resolveu cursar publicidade na Escola Superior de Marketing, onde montou um grupo teatral. Também criou coragem e foi estudar na EAD (Escola de Artes Dramáticas da USP). Mas só estudou lá por um ano. Foi chamado por uma amiga para ajudá-la num teste para uma montagem de Roberto Lage para Peer Gynt, de Ibsen. Acabou entrando no espetáculo e começou sua carreira profissional no teatro fazendo um protagonista. Em seguida, ele optou por literalmente trabalhar nos bastidores do teatro. Pediu e conseguiu um emprego na peça O Mistério de Irma Vap, onde era desde contra-regra até assistente de direção de Elias Andreato e Marco Nanini. Dan considera esta experiência crucial para sua carreira.

Mais tarde, trabalhou em Pentesiléias (1994), dirigido por Beth Coelho e Daniela Thomas, e Édipo, espetáculo em que fazia uma cena completamente nu. Também deu aulas de teatro amador, na quais, segundo ele, pôde errar e aprender muito. Destaca também o trabalho no grupo Tela Viva, em que, ao lado de amigos como Fábio Herford (o Monstro de Viva Voz), encenava em festas pequenas peças escritas a partir da vida de uma pessoa homenageada.

Na TV, seu primeiro papel importante foi em Os Maias, de Maria Adelaide Amaral. Em 2002, voltou a trabalhar com Luiz Fernando Carvalho, em Esperança. Em seguida, já foi escalado por Manuel Carlos para viver Marcos, em Mulheres Apaixonadas. Pela peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz (com Tony Ramos), de Bosco Brasil, ganhou o Prêmio Shell e o APCA de Melhor Ator de Teatro de 2002.

No cinema, Dan já ganhou papéis de destaque em Cronicamente Inviável, de Sergio Bianchi, e Mater Dei, de Vinícius e Diogo Mainardi. Em Viva Voz, Dan é o protagonista Duda, um bom moço, como o próprio ator define. Extremamente inseguro, Duda conta com uma quantia de dinheiro que irá receber para mudar sua vida. Só não contava com uma ligação acidental de seu celular para sua mulher, no exato momento em que iria romper com a amante.

Para compor seus personagens, você utiliza conceitos com teorias psicanalíticas. Como sua afirmação sobre Marcos, de Mulheres Apaixonadas, “Num casal, você ama muito mais os defeitos do outro do que as suas qualidades…”. Em que você buscou inspiração para compor a personalidade, tão insegura, de Duda?
Para compor o Duda, eu fui buscar muita inspiração em pessoas e tipos que conheci. E criei um passado para ele. De onde ele vem, sua família, o porquê dele ser tão inseguro, suas responsabilidades. Isto me ajudou muito. É curioso porque o Duda e o Marcos são completamente diferentes, mas têm em comum a forte insegurança. Representam os rumos que a insegurança pode tomar na vida das pessoas. Mas nem o Marcos, nem o Duda, eu posso vê-los como babacas porque senão eu deixo de acreditar neles.

Seus pais são imigrantes poloneses, você já chegou a afirmar que sempre se sentiu um estrangeiro, um estranho. O jeitinho brasileiro, muitas vezes desonesto, tão criticado em Viva Voz, lhe causa este estranhamento? Ou para você isto é só uma questão cultural? Você se identifica com o Duda?
O “estranho” é no sentido de ter uma perspectiva mais múltipla de ver as coisas, o que só me acrescenta. Apesar da influência polonesa e do meu nome “estranho”, eu sou muito brasileiro. Viva Voz brinca e, ao mesmo tempo critica, com tudo que nós brasileiros gostaríamos de mudar no país. Esta relação estranha que temos com os impostos, a lei. Essa descrença que nos faz acabar burlando tudo.

O trabalho no Tela Viva lhe rendeu ótimas experiências, não? Você ainda continua com a atividade? Ou a novela tomou todo seu tempo? Duda tem alguma característica inspirada nos personagens das festas?
Com certeza me deu uma vivência riquíssima. Afinal, o ritmo de trabalho é frenético. A cada semana, temos de montar um personagem e uma peça totalmente nova. É uma nova pessoa, nova personalidade, lembranças. É muita responsabilidade encenar a vida de uma pessoa. Acabei me distanciando do Tela Viva na época da novela (Mulheres Apaixonadas), mas vou retomar em breve. É algo que gosto muito de fazer. O Duda tem um pouco de vários tipos que conheci, com certeza os tipos que interpretei no Tela Viva me ajudaram a compô-lo.

Seus papéis têm sido mais dramáticos que cômicos, como em Cronicamente Inviável e Mater Dei. Você tem preferência por algum dos dois gêneros? Faltam comédias no cinema nacional?
Eu gosto de fazer os dois. Minha formação de ator deve-se muito à comédia. Ultimamente é que venho fazendo muitos dramas. Mas é uma delícia poder encenar uma boa comédia como Viva Voz. Acho que faltam boas comédias adultas sim. Tenho uma teoria de que, como fazer cinema no Brasil ainda demanda tanto esforço, tempo e paciência, muitos diretores acabam se atendo a temas ditos “mais sérios”, mais densos, que contêm uma mensagem que eles gostariam de passar. É difícil dedicar tantos anos de vida a uma comédia. Acho a opção do Paulo (Morelli) muito corajosa.

Qual foi a sensação de fazer uma novela que chegou a dar 52 pontos de audiência? Você lida bem com a exposição? Acha isso bom para o filme? Vai ser bom ser visto numa comédia após ter feito um personagem tão dramático?
Entrar numa novela que deu tão certo quanto Mulheres Apaixonadas é uma honra. Não esperava ser escolhido para fazer o Marcos. Acho que ajuda o filme sim porque o papel me tornou mais conhecido. Mas vai ser um choque porque o público se acostumou a me ver como o vilão e no filme faço um cara completamente oposto. O Duda é um bom moço.

Seu agradecimento durante a premiação da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), em 2002, foi emocionante. Você se sente um ator mais completo com este reconhecimento? Ou ainda te falta para sua formação de ator?
Foi muito especial porque li uma carta “escrita por mim a mim mesmo” na década de 80, após assistir a uma premiação da APCA na qual participava o ator Paulo Autran. Naquele momento, esperava que um dia subisse ao palco para receber este mesmo prêmio e saberia, então, que seria um ator. Mais importante, saberia o porquê. Foi muito importante para que eu não esquecesse de onde vim, da minha trajetória até aquele dia. Foi muito significativo, me fez repensar toda minha carreira e perceber que ainda tenho muito o que aprender. Falta errar. Essa é a melhor maneira de aprender, tentar, acertar e errar.

Como foi trabalhar em Viva Voz? Como você foi escolhido para o papel.
Foi ótimo! Fui escolhido da maneira mais tradicional possível. Li o roteiro, gostei muito e já fui participar da leitura em grupo do roteiro. Já tinha o Duda na minha cabeça. Ele é um cara inseguro, mas boa gente. Quer fazer tudo certo, mas acaba cometendo vários erros.
Durante as filmagens, além de saber muito bem o que queria, o Paulo (Morelli) permitiu que déssemos muitos palpites e contribuições para o filme. Às vezes, eu e a Graziella (Moretto), com quem contracenei a maior parte do tempo, combinávamos uma piada e não avisávamos ninguém. Só na hora de filmar o pessoal ficava sabendo e várias vezes acabava caindo na gargalhada! Aliás, um ponto crucial foi que eu e a Graziella nos entrosamos muito bem. Ela me surpreendia várias vezes. Este frescor vai para o filme. Aliás, a comédia não pode envelhecer. Já o drama tem a vantagem de melhorar quando se repete, se aprofunda. A comédia nem sempre pode contar com isso. Além disso, o clima do set de filmagem era ótimo. Os egos se diluíram e todos trabalharam realmente juntos em prol do filme. Entendemos que a história é que deveria ser engraçada, não apenas nós. O próprio Marcio Alemão, o roteirista, visitou o set várias vezes e mexeu no roteiro conosco. Isto é muito bom.

Você já tem alguma proposta em vista? Pretende continuar a carreira no cinema?
Por enquanto nada certo. Mas quero sim continuar a fazer cinema. É uma experiência muito boa. Costumo dizer que, no teatro, tudo gira em torno do ator. Já no cinema, há um equilíbrio delicado entre elenco e técnica. Há a equipe que trabalha junto com você, os fios, as marcações… E depois de rodado, o filme ainda tem de ser montado. Mesmo assim, se você der a sorte de encontrar uma equipe bem enturmada, tudo dá certo. E isto felizmente aconteceu em Viva Voz. Quantas verdades são gastas para se fazer bem uma mentira! Cinema exige muita sabedoria, muita concentração do ator, pois a câmera está sempre muito próxima.

GRAZIELLA MORETTO

Santista, a mais velha das três filhas de um empresário e uma dona de casa, Graziella Moretto teve no pai a inspiração para se tornar atriz. Foi ele, que também é ator amador, quem apoiou e levou Graziella ao Ipê Clube, no Ibirapuera, para que ela se matriculasse no curso de teatro. Tempos depois, ela foi estudar na Escola de Artes Dramáticas da USP. Em 1996, quando se formou, Graziella decidiu que era a hora de morar fora do país. Foi ser babá em Nova York. Lá, viveu por três anos e meio trabalhando também como garçonete e telefonista de uma imobiliária. Empregos que a ajudaram a levar adiante seus cursos no conceituado Public Theatre e no estúdio The Actor´s Center.

Nas férias, Graziella voltava ao Brasil e aproveitava para fazer alguns trabalhos para a O2. Numa destas idas e vindas, foi convidada para fazer Domésticas, o Filme (2001), o primeiro longa de Fernando Meirelles e Nando Olival. Este filme tem significado especial para a atriz. Além de ser seu primeiro papel de destaque no cinema (antes havia feito uma participação em Supercolosso, O filme, dirigido por Luiz Ferrè, em 1995), foi durante as filmagens que ela conheceu o marido, Guilherme Ayrosa, técnico de som de Domésticas e de Cidade de Deus (2002). E Graziella acabou voltando para o Brasil. Foi uma escolha acertada. A atriz, que contabiliza 20 peças em seu currículo, estava até pensando em abandonar o teatro quando recebeu o convite para atuar no Terças Insanas, espetáculo de grande sucesso em que a atriz pôde criar seus próprios personagens e esquetes.

Na seqüência, Graziella foi escalada para o elenco fixo de Os Normais, da Globo. Na TV, Graziella também atuou na novela Estrela-Guia (2001) e fez participações no antigo quadro Retrato Falado, com Denise Fraga no Fantástico.

Depois de fazer Domésticas, Graziella ganhou um papel em Cidade de Deus, o da jornalista Marina Cintra. Seu terceiro filme, Viva Voz, também é uma produção da O2. No filme, ela é Karina, uma secretária que tem um caso com o chefe. Ela também poderá ser vista no papel da feiticeira Hipácia, no longa O Martelo de Vulcano, de Eliana Fonseca, inspirado no seriado infanto-juvenil Ilha Rá Tim Bum, da TV Cultura, que em breve será lançado em vídeo e dvd. Atualmente ela contracena com Ney Latorraca na novela Da cor do pecado, no papel da garçonete Beki.

Você fez muitos comerciais da O2, Domésticas, Cidade de Deus e agora Viva Voz. Como nasceu sua “parceria” com a produtora? Podemos dizer que você é a ‘estrela da casa’?

Fico muito honrada com este título (risos). Tudo começou por acaso. Fui fazer um teste para um comercial, o Fernando Meirelles me aprovou e acabei ficando. Quando morei nos Estados Unidos, sempre voltava nas férias e fazia alguns trabalhos para a O2. Em 1999, fui chamada pelo Fernando (Meirelles) e pelo Nando Olival para fazer um teste para ser a Roxane de Domésticas. Apesar de eu ter feito uma Roxane muito diferente do que eles haviam pensado, acabei sendo aprovada. Este filme é muito importante para mim, pois foi o primeiro da O2. Cidade de Deus, por exemplo, foi uma surpresa para mim. Fiquei muito feliz de ganhar um dos poucos papéis femininos do filme. E agora Viva Voz. Não poderia ser melhor.

Depois de sua participação em Domésticas e Cidade de Deus, você volta ao cinema neste ano em mais dois filmes, Viva Voz e Ilha Rá-Tim-Bum. Pode-se afirmar que você já está se tornando uma atriz de cinema?

Sim e não. Gosto de ser uma atriz independentemente do veículo em que trabalho. O grande barato é atuar, mas fico muito feliz de poder fazer cinema no Brasil. E quero continuar. Aliás, depois do nascimento da Nina, durante seis meses a minha prioridade foi amamentar e trocar fraldas. Resolvi encerrar a licença-maternidade mais cedo a convite da diretora Denise Saraceni pra fazer a Beki em Da cor do pecado. Tenho muitos projetos pra tocar: estou abrindo a minha produtora Cosmo Filmes, estou escrevendo um roteiro pra um programa de tv sobre “ser mãe”, vou produzir duas peças, um documentário sobre a Escola de Arte Dramática e pretendo aproveitar todo o material que acumulei com o Terça Insana para trabalhar num roteiro. Sempre tive vontade de escrever, principalmente para o cinema.

Um pouco por você ter feito todos estes “trabalhos paralelos”, você pode afirmar que o ofício de ator ainda é muito difícil no Brasil? Faltam boas peças, filmes para se trabalhar?

Com certeza. Nos Estados Unidos, por exemplo, há uma indústria muito forte que absorve o trabalho do ator, seja no cinema, no teatro, na TV e até em parques de diversão. O Brasil tem uma indústria televisiva forte, mas ainda tem muito o que crescer no teatro e no cinema. Posso dizer que sou uma privilegiada. Ainda mais por também conseguir fazer o Terça Insana, fruto direto da minha paixão pelo teatro.

Comente sua participação em Viva Voz. Quem é a Karina? O que há de Graziella no personagem?

Foi ótima. Como já havia trabalhado na O2, fui chamada para ler o roteiro e fazer um teste para o personagem. Adorei! E logo já estava super envolvida com a Karina. Ela tem meu bom humor. O principal motivo que me levou a fazer Viva Voz foi a oportunidade de trabalhar com a equipe do filme, os atores, a técnica, o diretor. O jogo de interpretação foi muito divertido. Costumo dizer que o grande triunfo de Viva Voz é ter uma cota de inverossimilhança que só a coerência dos atores é capaz de tornar verdadeira. Tivemos de levar o roteiro muito a sério para que a história não soasse artificial. Isso só se consegue com um elenco muito afinado. Até atores que não haviam trabalhado juntos acabaram se entrosando muito bem.

Cinema, teatro e TV são três formas de se trabalhar com a mesma matéria-prima, que é a atuação. De certa forma, por ser mais fragmentado, o cinema exige uma concentração especial. E foi ótimo ter sido dirigida pelo Paulo (Morelli) porque ele soube trabalhar muito bem isso em cena. Além disso, ele nos deu muita liberdade para que criássemos em cima do roteiro. Ele sabia o que queria, mas também sabia que podia contar com a gente.

Você é essencialmente uma atriz cômica. Te agrada ser reconhecida assim? Você quer fazer mais dramas?

Claro que sim. Para mim, comédia de maneira nenhuma é um gênero menor. Adoro fazer comédias, mas também gosto muito de fazer papéis mais dramáticos. Meu grande prazer é ser atriz. No Terça Insana, por exemplo, os papéis que criei são todos engraçadíssimos, mas criticam tudo o que acho absurdo na realidade brasileira, só que de uma maneira irônica. Isso também acontece em Viva Voz de certa forma.

Faltam comédias brasileiras no cinema?

Com certeza. Mas não acho que seja por preconceito. Como fazer cinema no Brasil sempre foi uma arte tão sofrida, muitos diretores passaram a lhe conferir uma certa sacralidade. É tão difícil produzir um filme que se acaba investindo em histórias mais densas. Como se fazer uma comédia fosse um certo desperdício de tanto esforço. Fazer cinema é uma oportunidade para se passar uma idéia. No Brasil, é uma arte muito engajada. Minha vontade é fazer um longa de personagem, estilo Mazaropi, com um dos meus personagens na Terça Insana.

VIVIANNE PASMANTER

Apesar de não ser das maiores fãs da combinação “sol e praia”, em função das inúmeras novelas que fez, a paulistana Vivianne Pasmanter acostumou-se a viver no Rio de Janeiro.

Apesar de ter formação teatral (Estudou na Escola de Arte Dramática da USP), foi na televisão que Vivianne se consagrou. Do primeiro papel em Felicidade (1990) até a mecânica Maria João de Uga Uga (2000), a atriz se destacou por viver personagens densos, por vezes rebeldes e problemáticos, mas também tímidos e sofridos. Foram sete anos seguidos fazendo novelas. Como grande incentivador, Vivianne sempre teve ao lado o autor Manoel Carlos, que a estima como uma verdadeira filha. E foi em suas novelas que ela pôde mostrar a que veio, como em Por Amor (1997), em que interpretou um de seus maiores sucessos, a vilã Laura.

Atriz versátil, Vivianne se orgulha de poder viver vários tipos. Já interpretou desde uma punk até uma “patricinha”, papel para o qual teve de ficar loira e passar por constantes sessões de bronzeamento artificial.

Em Viva Voz, ela vive a perua Mari e fica feliz de ter a oportunidade de fazer um papel cômico. Afinal, a maioria de seus personagens tem sido dramáticos. Por isso, a comédia ainda tem gosto de novidade para ela. O cinema também. Antes de Viva Voz, ela havia participado de Contos de Lygia (1998), de Del Rangel; e Deus Jr. (2000), de Mauro Lima. A partir de agora, espera poder estar presente em mais produções brasileiras.

Você sempre utiliza detalhes de sua própria personalidade para compor seus personagens (como a Maria João de UgaUga) e a adolescente rebelde Malu (de Mulheres de Areia)? O que de você há na Mari, de Viva Voz?

Apesar de incluir detalhes de minha personalidade, como a timidez e rebeldia, eu diria que me inspiro muito mais no mundo exterior do que busco o personagem em mim. A Mari, por exemplo, é uma perua. Eu conheço várias delas. Aliás, elas sempre me fascinaram. Sempre fui de ficar observando, reparando nos trejeitos, nas roupas, no cabelo. Isto me ajudou bastante a compor meu personagem.

Você já disse se considerar tímida, mas já fez papéis de mulheres extrovertidas, fortes, como a própria Mari, de Viva Voz, e a neurótica Laura, de Por Amor. É difícil compor estes personagens?

Sim e não. Sim porque elas exigem pesquisa e dedicação. Mas é ótimo poder desempenhar papéis totalmente diferentes. Fico muito feliz por nunca ter sido rotulada como “a vilã” , “a louca”, “a mocinha”. Tive muita sorte em todos os papéis que recebi até hoje.

Seus personagens costumam ser densos, papéis que se destacam por um perfil temperamental sempre estiveram presentes em sua carreira (em Por Amor você fez uma vilã e, em Uga Uga, uma durona). Você prefere assim ou também gosta de fazer comédias? Como foi fazer a Mari? A comédia é mais difícil que o drama?

Eu gosto de tudo. Na verdade, por eu ter feito pouco, a comédia ainda é mais difícil para mim. Além de Viva Voz, acho que só fiz um personagem realmente cômico. Os outros, como a rebelde Malu, de Mulheres de Areia, tinham sua dose de humor, mas não eram exagerados. Comédia ainda é um desafio para mim. Ainda é novidade. Mas é muito bom fazer.

Você tem uma formação teatral forte, já que estudou na Escola de Arte Dramática (EAD). Isso a ajuda ao fazer cinema e televisão?
Você tem preferência por algum meio? Considera-se uma atriz de TV, já que a maioria de seus trabalhos foi em novelas? Ajuda muito. Boa parte da minha experiência em compor personagens eu adquiri no teatro. Mas também aprendi muito na televisão. Apesar de ter emendado muitos trabalhos na TV, não me considero uma atriz de novelas. Gosto muito de teatro, que estou voltando a fazer após sete anos.

Então você pretende investir mais na sua carreira cinematográfica? Como é trabalhar no cinema?

Claro que sim! Com certeza quero fazer mais papéis no cinema. Aliás, só não fiz mais filmes até hoje por falta de convites. Mas espero que venham mais a partir de agora. O cinema também ensina muito. Exige muita concentração. Eu adorei participar deste longa. Só havia feito dois filmes. Quando fui chamada para fazer Viva Voz, adorei.

Viva Voz é uma comédia despretensiosa e muito ácida. Você gosta de fazer comédias? Faltam comédias adultas no cinema nacional?

Apesar de ter feito poucas comédias, eu adoro a experiência. Filmar Viva Voz foi uma ótima oportunidade de brincar muito no set. O clima era muito bom! Acho que faltam mesmo boas comédias nacionais. Eu me lembro de Sábado (de Ugo Giorgetti), que é ótimo. Mas um país como o nosso, que tem as clássicas Chanchadas no currículo, devia mesmo prestigiar mais o gênero, sem considera-lo um filão “menor” do cinema.

Como foi a experiência de fazer Viva Voz? Conte um pouco sobre o dia-a-dia das filmagens.
Foi uma delícia! Adorei! Eu recebi o roteiro, li e adorei. Quando acabei de ler, liguei para o Paulo (Morelli) e disse que faria qualquer uma das personagens femininas. Todas são muito boas. Fiquei com a Mari. Tive dificuldades normais de qualquer papel. Cinema é mais conciso que a TV, exige um poder de concentração e síntese muito grandes. Afinal, temos de contar uma boa história em menos de duas horas ao passo que na TV é possível até gravar cenas em que se escovam os dentes, por exemplo. No caso da Mari, ela fala muito ao telefone. Quando ia filmar minhas cenas, tinha que literalmente imaginar o que eles (Duda e Karina) estariam dizendo no outro lado da linha. Várias vezes tive de contracenar comigo mesma e usar muito a imaginação! Tinha de reagir a algo que nem havia sido filmado ainda. Sorte minha que o Paulo (Morelli) é ótimo! Além de ser um diretor super seguro, sabe o momento de nos deixar dar dicas, trazer novos detalhes ao personagem. O elenco, então, foi ótimo. Adorei trabalhar com o Dan, a Betty, a Graziella, o Paulo. Foi uma experiência ótima que quero repetir em breve!

BETTY GOFMAN

Betty Gofman define-se como uma atriz intuitiva. Não costuma chegar com o personagem previamente formado e concluído antes de começar a ensaiar ou a filmar. Isso não denota falta de comprometimento com o personagem, mas liberdade para extrair de um tipo o que tanto a atriz quanto o diretor precisa que seja explorado. Por isso, ela afirma que sempre encarna o personagem com muita naturalidade. Tímida, mas ao mesmo tempo engraçada e bem-humorada, ela começou a se interessar pelo teatro enquanto observava a irmã, Rosane Gofman. Muito responsável desde sempre, ela pagava seus próprios cursos de teatro e teve apoio da família para ir atrás do que queria.

Apesar da forte formação teatral, foi na televisão que Betty passou boa parte da carreira. De Ti Ti Ti (1985) a O Beijo do Vampiro (2003), passando por Vila Madalena (1999) e até Direito de Amar (1987). Apesar de se tornar conhecida do grande público como uma atriz cômica, Betty não se considera uma comediante. Prova disso é que logo após fazer grande sucesso com a esperta criada Nicole em O Burguês Ridículo, peça dirigida por Guel Arraes e João Falcão pela qual recebeu o prêmio Shell de Melhor Atriz, foi convidada por Daniel Filho para viver uma alcoólatra no seriado Mulheres (1999).

No teatro, Betty acumula prêmios e experiência. Com a diretora Bia Lessa, a atriz pôde viajar para importantes festivais internacionais, como os Festivais Internacionais de Teatro da Alemanha e do Canadá, entre outros, representando o papel título do drama Orlando, de Vírginia Woolf. Experiências que, para ela, já valeram por toda a carreira.

No cinema, Betty pode se considerar uma atriz privilegiada. Já participou de produções como Amélia(1998), de Ana Carolina; Até Que A Vida Nos Separe (1999), de José Zaragoza; Cronicamente Inviável (1999), de Sérgio Bianchi e até foi dirigida pelo austríaco Herbert Brdl, no lírico Elipse, ao lado de Matheus Nachtergaele.

Você é sempre reconhecida por seus personagens cômicos, tanto na TV quanto no teatro e no cinema. Você se considera uma comediante? O que é fazer comédia para você?

Não me considero uma comediante. É claro que, como a maioria dos meus papéis na TV foi cômica, as pessoas tendem a me reconhecer por isso. Mas não quero ser uma comediante e sim uma atriz que faz comédias. Não posso reclamar porque eu faço todo tipo de personagem. Acho que comédia é um dom. Eu sou uma atriz muito intuitiva. Estudo, pesquiso o personagem, mas me deixo levar pelo clima, pelo o que o diretor quer de mim na hora da filmagem, do ensaio. Lembro de uma frase que disse quando recebi o prêmio da APCA pela peça O Burguês Ridículo: “Comédia é uma matemática intuitiva”. Isso porque você tem de usar sua intuição para deixar fluir o personagem, mas, ao mesmo tempo, tudo tem seu tempo exato para acontecer. Senão, perde-se a graça. Mas eu fico muito orgulhosa de ser reconhecida pelos meus personagens cômicos. É sinal de que fiz um bom trabalho.

Você começou muito cedo a fazer novelas. Participou até da primeira versão de Selva de Pedra. Você aprendeu muito com a TV, apesar de ter formado no Tablado?

Aprendi sim. Para falar daquela comparação clássica entre teatro, cinema e TV, acho que tem de ser lembrado que o teatro dá muito jogo de cintura para o ator lidar com os outros meios. Minha verdadeira escola foram meus trabalhos com a Bia Lessa. Ela sempre exigiu muito de mim. Mas tem o grande mérito de, além de ser uma ótima diretora, saber tirar do ator o que nem ele sabia que era capaz de fazer. Tendo esta experiência em teatro, tudo fica mais fácil na TV, onde tudo é mais sutil, onde a câmera te engole. Tudo passa a ser uma questão de sintonia fina. De saber dosar os gestos, as emoções.

Você acha que deveria haver mais comédias brasileiras no cinema?

Com certeza! Acho que temos muito o que consertar, mas sempre há espaço para o humor, para rirmos de nós mesmos. Um pouco disso eu diria que é por termos poucos bons roteiros de comédia. O Brasil possui ótimos, mas poucos, roteiristas de cinema. E isso se evidencia ainda mais na comédia, em que um roteiro competente é essencial.

Cronicamente Inviável é uma crítica mordaz ao jeitinho brasileiro. Você acredita que, de certa forma, Viva Voz também faz uma crítica, ainda que bem-humorada, às mazelas brasileiras?

Com certeza! Ainda que em forma de comédia, o filme não perdoa ninguém. Vai de encontro à esta característica ruim do brasileiro que quer sempre se dar bem em cima de alguém. Ninguém se salva em Viva Voz. O brasileiro é um povo muito bacana, mas tem este lado negativo. Há muita corrupção, muita falcatrua. Viva Voz escancara isso, mas sem fazer discurso.

Como foi a experiência de filmar Viva Voz? Como você foi escolhida para o papel?

Eu recebi o roteiro do Paulo (Morelli) e quando acabei de filmar fiquei louca! Na hora aceitei fazer o filme e acabei adiando as férias que estava planejando. Foi uma delícia filmar Viva Voz. O elenco foi muito bem escolhido, o roteiro funcionava muito bem. E o Paulo é um diretor ótimo, muito sutil, que sabe conduzir a ação. Minha única “decepção” foram as cenas que se passam dentro do carro. Quando li o roteiro, achei que ia ser tudo muito light, ficar só dentro do carro, “sentadinha”. Mas quando fomos para a ação, quase passei mal. Havia dias em que ficávamos praticamente o tempo todo dentro do carro, era uma prisão. Só saíamos de lá para comer e ir ao banheiro! Cinema exige muita paciência, muita concentração do ator. Mas valeu a pena. O entrosamento com os outros atores foi perfeito. É muito bom contracenar com quem “te passa bem a bola”, te ajuda a melhorar teu próprio personagem.

No cinema, você já filmou com Ana Carolina, Sérgio Bianchi, José Zaragoza. Como foi filmar com Paulo Morelli?

Foi ótimo. Eu me deixo muito levar pela mão do diretor, deixo que ele me mostre o que quer de mim, do meu personagem. Funcionou muito bem com o Paulo (Morelli) porque ele estava muito seguro do que queria em Viva Voz.

Você disse certa vez que sempre foi muito responsável, comportada até na adolescência. A comédia é uma forma de você liberar sua rebeldia, seu lado mais irreverente?

De certa forma sim. Para dizer a verdade, eu já sou muito moleca, muito palhaça no meu dia-a-dia mas, ao mesmo tempo, sempre fui muito responsável. Até mesmo na adolescência. Até brinco que me arrependo um pouco de não ter “enfiado mais o pé na jaca”. O momento em que entro em cena serve muitas vezes para eu descansar de mim mesma.

Você destacaria algum papel dramático? Há algum drama que gostaria de fazer?

Fiz vários, desde a dona de casa amargurada de Cronicamente Inviável até a alcoólatra do seriado Mulheres. Orlando (de Virginia Woolf ), sob a direção da Bia Lessa, me proporcionou muita emoção. Além de exigir muito de mim, foi com este personagem-título que passei por momentos que valem uma vida, momentos em festivais internacionais de teatro, na Alemanha, no Canadá, por exemplo, que valeram minha carreira. Sou uma atriz privilegiada por poder atuar em tantas áreas diferentes.

ELENCO - KIKO MASCARENHAS

O carioca Kiko Mascarenhas começou sua carreira como ator em 1983, no espetáculo Os Meninos da Rua Paulo, dirigido por Luís de Lima. Com vinte anos de carreira, Kiko contabiliza em seu currículo mais de 20 espetáculos de teatro, além de trabalhos em TV, cinema e publicidade. Entre tantos, destaca os que fez com Miguel Falabella, como A Sereiazinha (1991), pela qual ganhou o Prêmio SATED de Melhor Ator de Teatro Infantil; e A Megera Domada (1990), pela qual também recebeu o Prêmio SATED de Melhor Ator Coadjuvante de Teatro Infantil. Ser dirigido por José Wiker também foi marcante na carreira do ator, destacando-se as peças A Família Ducão (1992) e Mephisto (1992).

Kiko se define como extremamente versátil. Prova disso é que, há anos, na Páscoa, ele representa Jesus na Paixão de Cristo, no Teatro Municipal de Macaé (RJ). Em 1992, Kiko foi responsável pela inauguração e administração do Teatro Cultura Inglesa, no Rio, e pela coordenação do Projeto Drama Club.

Mas, apesar de ser diretor e professor de teatro, funções que lhe permitiram montar inúmeras peças amadoras, só agora Kiko irá dirigir sua primeira peça profissional. A escolhida foi Tistu – O Menino do Dedo Verde, com estréia prevista para Maio de 2004. Atualmente, Kiko está em cartaz com a peça Charles Baudelaire, Minha Terrível Paixão, de Elisa Lucinda, dirigida por Luiz Antônio Pillar.

Na TV, Kiko já fez incontáveis trabalhos. Destacam-se as participações nos programas Você Decide e Sandy & Junior, na Globo; Castelo Rá-Tim-Bum, na TV Cultura, e a novela Meu Pé de Laranja Lima, na TV Bandeirantes.

Viva Voz foi seu primeiro trabalho no cinema. No filme, ele é Flavinho, um secretário muito fiel ao patrão. Kiko também tem no currículo o inédito Lost Zweig (2001), de Sílvio Back. “Ser dirigido pelo Paulo (Morelli) foi maravilhoso. Ele tinha muita certeza do elenco que tinha escolhido e por isso estava tranqüilo. Eu nunca tinha feito cinema mas, graças a ele, era como se tivesse feito a vida inteira.”

ELENCO - LUCIANO CHIROLLI

Formado na EAD (Escola de Artes Dramáticas da USP) em 1987, Luciano Chirolli conquistou seu primeiro prêmio da carreira já em sua primeira peça profissional: Leonce e Lena, de Georg Büchner. Por seu papel no espetáculo, ele recebeu o Prêmio Governador do Estado e o Mambembe de Melhor Ator.

Nos anos seguintes, participou de notáveis montagens de Shakespeare, Mollière, Garcia Lorca, Brecht, entre outros autores consagrados. Também dirigiu vários espetáculos, como a peça No Alvo (sinfonia composta pelo dramaturgo austríaco Thomas Bernhard em 1981), ao lado da atriz Maria Alice Vergueiro, em 1997. Recentemente, interpretou Mário de Andrade no sucesso Tarsila, peça de Maria Adelaide Amaral, com direção de Sérgio Ferrara, na qual foi várias vezes aplaudido em cena aberta.

Sua estréia no cinema foi no premiado curta A Escada, de Philippe Barcinski, em 1996. Com Barcisnki, também fez A Grade (1997). Seu primeiro longa foi A Grande Noitada, de Denoy de Oliveira (1997). Chirolli fez outras pequenas participações em filmes, como Bufo & Spallanzani, de Flávio Tambellini, até integrar o elenco de Viva Voz. No filme, ele é Abílio, um sócio nada confiável. “O grande prazer de trabalhar em Viva Voz foi poder trabalhar com grandes atores. Nossa interação foi tão boa que o filme foi como um jogo onde todos passavam muito bem a bola”, conta o ator.

ELENCO - SUPLA

Autêntico e irreverente, Supla consegue falar de assuntos sérios com inteligência e bom humor. Em novembro de 2002, pouco depois do sucesso da Casa dos Artistas, lançou Político e Pirata, seu mais recente CD e o primeiro desde 1991. Atualmente, ele continua sendo o Rei da Mídia, como se autodefine. Virou boneco e ganhou até uma bota e uma coleção de roupas juvenis com seu nome.

Mesmo se aventurando por várias áreas, a prioridade de Supla ainda é divulgar seus discos e fazer shows. Mas isso não o impede de fazer participações em comerciais, novelas e até no cinema. Em Viva Voz, ele é Sávio, irmão de Duda (Dan Stulbach) e morre precocemente num acidente de carro. “Meu papel é pequeno, mas foi muito bom fazer. O clima das filmagens era ótimo”, conta o cantor.

Antes disso, ele já havia ganhado um papel em Uma Escola Atrapalhada, de Antônio Rangel, em 1990. Também fez participações especiais em produções como Rock Estrela, de Lael Rodrigues, em 1987 e Sua Excelência, O Candidato, de Ricardo Pinto e Silva, em 1992.

Supla se define como um cara perseverante e esperançoso. Prova disso foi sua carreira, que ganhou novo fôlego após a temporada que passou em Nova York, onde foi morar em 1995, depois de fazer participações especiais em minisséries da Rede Globo, filmes e ter lançado vários discos no Brasil. Tocando no cenário hard core de Nova York na banda Mad Parade (que tempos depois mudou de nome para Psycho 69), Supla se destacou na cena rock underground da cidade e também fez várias pontas em curtas e longas norte-americanos.

Em 2000, Supla voltou ao Brasil para ajudar na campanha da mãe, Marta Suplicy, para a prefeitura de São Paulo. Em 2001, a participação na novela da Globo Um Anjo Caiu do Céu (como Alex de Leon) e o show no Rock in Rio 3 esticaram a sua estadia no país. Mas o que realmente o fez ficar no Brasil foi a sua participação no programa Casa dos Artistas, do SBT.

Sobre a carreira de ator, ele fala com bom-humor. “Adoro atuar, consigo enganar direitinho o pessoal”, brinca. E diz que só não faz mais filmes por falta de convite. “Adoraria filmar com o Fernando Meirelles e também fazer o papel de um cara louco”, completa o cantor, que é fã de filmes de máfia e Clint Eastwood.

ELENCO - GENÉZIO DE BARROS

Formado pela Escola de Artes Dramáticas da USP, o paulista Genézio de Barros acumula longa e bem sucedida trajetória no teatro, com cerca de 35 peças no currículo e três prêmios recebidos. Por dez anos, o ator integrou o Grupo Tapa.

Em 1985, ganhou o Prêmio Mambembe de Melhor Ator pelo espetáculo Inimigos de Classe, de Nigel Williams. Em 1996, recebeu mais um Mambembe de Melhor Ator por Rastro Atrás, com direção de Eduardo Tolentino. Também sob a direção de Tolentino, em 1998, encenou Ivanov, de Tchecov, e ganhou mais um Mambembe de Melhor Ator.

Mais recentemente, atuou em O Acidente (2000), de Bosco Brasil, O Fingidor (2000), de Samir Yasbeck, e em Feliz Ano Velho (2001), de Alcides Nogueira, com direção de Paulo Betti. Em 2002, integrou o elenco de Longa Jornada Noite Adentro, de Eugène O’Neill, dirigida por Naum Alves de Souza. Atualmente, está em cartaz na comédia A Flor do Meu Bem Querer, de Juca de Oliveira, também com direção de Naum Alves de Souza.

Na TV, fez participações nas novelas O Rei do Gado (1996), na Globo, e Meu Pé de Laranja Lima (1999), da TV Bandeirantes.

No cinema, destacam-se os papéis em Ação Entre Amigos (1998), de Beto Brant, pelo qual recebeu o Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival Internacional de Cinema de Chicago, e Quase Nada (2000), de Sérgio Rezende, pelo qual recebeu o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Natal (2002) e também foi indicado ao Grande Prêmio Cinema Brasil 2001. Genézio também tem no currículo o inédito Onde Anda Você, de Sérgio Rezende.
Em Viva Voz, ele é Francisco um contador acima de qualquer suspeita. “Fazer Viva Voz foi muito bom porque o Paulo me deu muita liberdade para criar. Mesmo sendo pequeno, meu papel, o do Francisco, tem uma importância crucial na trama.”

ELENCO - OTÁVIO MARTINS

Natural de Campinas, Otávio Martins decidiu, há dez anos, trancar o curso de Economia na Unicamp e ir estudar teatro na Itália. Em 1993, voltou ao Brasil e ganhou seu primeiro papel profissional no espetáculo After Magritte, de Tom Stoppard. Morando em São Paulo, trabalhou com Bia Lessa em Futebol e com Rubens Rewald em Narrador. Em seguida, ajudou a fundar a Cia do Latão, onde trabalhou por cinco anos e montou espetáculos como João Fausto e Ensaio Sobre o Latão, peça que revelou seu talento cômico e lhe rendeu vários prêmios. Em 2002, atuou em Dia dos Namorados, na qual substituiu o ator Reginaldo Farias.

Atualmente, está em cartaz na peça Vestir o Pai, sob a direção de Paulo Autran. Otávio também acaba de dirigir seu primeiro espetáculo, a peça Últimas Notícias de Uma Mesma História, de sua autoria, que questiona a violência urbana. Na TV, fez pontas na novela Filhas da Mãe e na minissérie Os Quintos dos Infernos, da Globo.Também trabalhou ao lado de Denise Fraga no quadro Retrato Falado, do Fantástico.

Versátil, Otávio já atuou em 157 filmes publicitários, pelos quais ganhou oito Leões de Ouro no festival publicitário de Cannes. Também já participou de 16 curtas-metragens. Entre eles, está Papel e Água, de Michel Tikhomiroff. Ainda no cinema, além de Viva Voz, participou do longa Por Um Fio, de João Batista de Andrade, e acaba de rodar Vôo Cego Rumo ao Sul, de Hermano Penna.

Em Viva Voz, Otávio é o atrapalhado Alicate, ex-dentista desiludido que resolve se tornar assaltante. “Fazer Viva Voz foi um grande prazer porque é difícil você ver comédia nacional. É muito fácil falar da tal retomada, mas e quanto à tradição da comédia no cinema brasileiro? E o Morelli vem justamente propor um belo resgate desta trajetória”, afirma o ator que também está nos curtas O não de São Paulo, de Mathias Mariani, O Muro , de Marcelo Maia, e Coisas, de Tula Hatagima.

ELENCO - FÁBIO HERFORD

Publicitário, Fábio Herford faz teatro desde a infância, mas nunca viu a atividade como um emprego até que surgiu a oportunidade de fazer sua primeira peça profissional: Mackbet, de Eugene Ionesco, em 1990. Ele não perdeu a chance e acabou se tornando ator profissional. Entre inúmeros trabalhos, destaca The Zoo Story, dirigida por Caco Ciocler, e Guerreiras do Amor, sob o comando de Celso Frateschi. Apesar de gostar muito de comédias, Fábio revela que tem fascínio pelos personagens dramáticos. Nesta linha, vale mencionar a peça Tio Vânia, de Checov, dirigida por Celso Frateschi, que esteve em cartaz por dois anos (2000 e 2001) e é verdadeira paixão de Fábio.

Entre 2002 e 2003, o ator interpretou um maestro no infantil O Som é Assim, de Gustavo Kurlat. Paralelamente, a partir de 1995, esteve envolvido com o trabalho do Grupo Tela Viva, encenando, em festas, pequenas peças escritas a partir da vida de uma pessoa homenageada. Fábio ajudou a fundar o grupo que já produziu espetáculos para mais de 300 eventos. Neste ano, o grupo montou sua primeira peça, o Tela Viva – A Comédia de Portas Abertas.

Na TV, Fábio participou de vários episódios de Copas de Mel e Dias de Glória, com Denise Fraga, na TV Globo. Em 2002, participou da novela Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho. No cinema, trabalhou em Bicho de Sete Cabeças (2000), de Laís Bodanzky, Boleiros (1998), de Ugo Giorgetti e Cristina Quer Casar (2003), de Luís Vilaça. Em Viva Voz, ele é o assaltante Monstro, companheiro de Alicate (Otávio Martins) num assalto muito atrapalhado. “O Monstro é um cara sério, mas que vê no roubo o único meio de se dar bem. Por mais contraditório que seja, ele tenta fazer assaltos da forma mais humana possível. Participar de Viva Voz foi realmente muito divertido. Nem parecia que estava trabalhando”, conta o ator.

ELENCO - ERNANI MORAES

O recifense Ernani Moraes é o símbolo do bom-humor. Do alto de seus 1,90m, ele não se constrange em comentar que já interpretou vários tipos durões, delegados, seguranças, cafajestes e até estupradores. Ernani estreou profissionalmente na peça Não me Chame de Tetê, de José Wilker, em 1975, aos 18 anos. A partir de então, esteve sempre nos palcos, encenando Shakespeare, Molière, Martins Pena, Maquiavel (A Mandrágora), Ibsen, Artur Azevedo, Nelson Rodrigues, Mauro Rasi, entre outros. Por A Megera Domada (1991), do grupo TAPA, ganhou o Prêmio Molière de melhor ator. Em 2002, encenou Arlequim, Servidor de Dois Patrões, sob direção de Luiz Arthur Nunes. Atualmente, está em cartaz com Tartufo, de Molière.

Só depois de quase 20 anos de teatro, estreou na TV, na minissérie O Memorial de Maria Moura, em 1992. Mas foi o personagem Boneca, de Torre de Babel (1998), de Sílvio de Abreu, que mudou sua vida. Ernani também participou das minisséries Engraçadinha (1995), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998) e Aquarela do Brasil (2001). Atualmente, é o delegado Terêncio em Chocolate com Pimenta, de Walcyr Carrasco, na Globo.

No cinema, seu primeiro trabalho foi Tanga - Deu no New York Times (1987), de Henfil. Depois, atuou em Lamarca (1994), Guerra de Canudos (1997) e Mauá (1998), todos de Sérgio Rezende. Ernani também trabalhou em Bufo&Spallanzani, de Flávio Tambellini; e Nelson Gonçalves (2000), de Elizeu Ewald. Neste ano, estará também em cartaz em O Martelo de Vulcano, de Eliana Fonseca. Em breve, poderá ser visto em Alegres Comadres, de Leila Hipólito; e Cafundó, de Paulo Betti.

Em Viva Voz, ele é parceiro de Paulo Gorgulho e, enquanto investiga crimes, está sempre discutindo questões “filosóficas”. “Apesar de meu papel não ser grande, adorei ter participado de Viva Voz, uma comédia muito inteligente. O roteiro era muito ágil, muito bacana. Além disso, a grande sacada do Paulo foi saber escolher muito bem seu elenco”, conta o ator.

ELENCO - PAULO GORGULHO

O mineiro Paulo Gorgulho é formado pela Escola de Artes Dramáticas (EAD) da Universidade de São Paulo (USP) e sempre se dedicou com paixão ao teatro.

Só estreou na TV (em Anarquistas Graças a Deus, de 1984) anos depois de estrear nos palcos. Mas foi em Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa, em 1990, na TV Manchete, que seu talento ganhou reconhecimento nacional. José Leôncio continua sendo um de seus personagens preferidos. No ano seguinte, já na Globo, fez O Dono do Mundo, de Gilberto Braga; e, em 1992, Despedida de Solteiro, escrita por Walter Negrão. Em 1994, foi a vez de Fera Ferida, de Aguinaldo Silva; e, dois anos depois, a minissérie Decadência, de Gilberto Braga. Em 2002, participou da minissérie O Quinto dos Infernos, de Wolf Maya. Neste ano, interpretou o Joaquim de Agora É Que São Elas, de Ricardo Linhares.

Ainda nos palcos, Gorgulho protagonizou peças como Sua Excelência o Candidato (1990), de Marcos Caruso; e Mephisto (1993), com direção de José Wilker. Em 2001, encenou Eu Falo O Que Elas Querem Ouvir, de Mario Prata, sob direção de Roberto Lage. Neste ano, esteve em cartaz com o espetáculo Frankenteins, de Jô Soares.

No cinema, Gorgulho estreou em O País dos Tenentes (1983), de João Batista de Andrade. Trabalhou também em Vera (1987), de Sérgio Toledo; Feliz Ano Velho (1987), de Roberto Gervitz; For All (1997), de Luiz Carlos Lacerda; e Uma Aventura do Zico (1999), de Antônio Carlos da Fontoura.

Em Viva Voz, ele vive um policial nada convencional. “Apesar do meu papel ser pequeno, foi um grande prazer trabalhar em Viva Voz. Além de contracenar com ótimos atores, como o Ernani Moraes, pude contar com um roteiro muito bem construído, sutil na sua dose de humor ácido”, conta o ator.

ROTEIRO - MÁRCIO “ALEMÃO” DELGADO

Márcio Alemão se define como um publicitário que gosta de escrever roteiros mais longos que os usuais 30 ou 60 segundos dos comerciais. Por isso, sempre escreveu histórias e sempre teve um arquivo cheio delas que, eventualmente, poderiam um dia virar cinema, televisão ou teatro. A primeira a sair do arquivo foi o roteiro de Lápide (1997), curta-metragem dirigido por Paulo Morelli.
Para Alemão, a experiência com Viva Voz foi totalmente diferente porque quando recebeu o convite para preparar o roteiro do filme a história já existia. “Fui convidado apenas para mexer nos diálogos. Mas quando você começa a mudar falas, você acaba mudando a ação e, de repente, está com um roteiro totalmente diferente nas mãos”, conta o roteirista que fez parte da primeira equipe de autores do extinto TV Pirata (de 1988 a 1990), da TV Globo, com direção de Guel Arraes. Alemão ainda escreveu para o Comédia da Vida Privada (1994 a 1997), também sob direção de Guel Arraes. A convite de Flávio de Souza, também preparou vários roteiros de Sai de Baixo (1996 a 2002).

Além de escrever, Alemão, gosta de cozinhar. Não por acaso, uniu os dois prazeres e passou a ser crítico gastronômico da revista Carta Capital. Além disso, escreveu o livro infantil Poesinhas, que já está na segunda edição.

FOTOGRAFIA - LUÍS BRANQUINHO

O fotógrafo português Luís Branquinho divide-se entre a publicidade, campo em que já recebeu vários prêmios, e o cinema. Há anos, é parceiro de Paulo Morelli, com quem trabalhou primeiramente em Portugal. Apesar de ser o responsável pela fotografia de vários curtas-metragens portugueses, foi no Brasil que participou de seu primeiro longa-metragem para o cinema, O Preço da Paz, também com direção de Morelli. O diretor gostou tanto do trabalho de Branquinho que o convidou para trabalhar em Viva Voz, seu segundo longa. O fotógrafo pôde acompanhar o projeto do filme desde o ínicio, “Quando tive a primeira oportunidade de ler o roteiro de Viva Voz e depois de muita conversa com o Paulo, deparei-me com o maior de todos os desafios. Apesar de ser uma “comédia leve”, não me via a fotografá-la do modo mais “óbvio” ou seja num estilo de luz “high key”, conta Branquinho. E continua: “Apesar de leve, a história contém uma imagem grotesca e singular, não via razão para que não se pudesse separar em duas personalidades distintas o conteúdo e a sua aparência. Uma vez pensado nisto, eu precisava trabalhar esta questão com o Paulo e a Cláudia Briza, diretora de arte, numa idéia que fosse do agrado geral”, explica. O resultado está na tela. Após vários testes, a equipe chegou a uma “cor” para o filme: o verde-limão. E ficou muito satisfeita.

DIREÇÃO DE ARTE - CLÁUDIA BRIZA

A artista plástica Cláudia Briza pôde colocar no trabalho de Viva Voz, seu primeiro longa-metragem, um pouco da cidade onde nasceu e vive até hoje. Formada pela Universidade Mackenzie em 1986, Cláudia começou a se interessar por cinema quando trabalhou na Olhar Eletrônico, uma produtora independente que se transformou numa referência de inovação.

Tempos depois, fez cenografia e figurino na TV Cultura para programas como Mundo da Lua, Som Pop e Glub Glub. Paralelamente, ela manteve um estúdio de artes gráficas e nunca deixou de pintar.

Cláudia também já fez a direção de arte de inúmeros filmes publicitários, em diversas produtoras no Brasil e na Europa. Na MTV, trabalhou em vários vídeo-clips, inclusive como diretora. Alguns destes clips foram indicados ao Vídeo Music Awards, como, por exemplo, das bandas Karnak e Pato Fu. Cláudia estreou no cinema com o curta Lápide, também de Paulo Morelli. Seu primeiro trabalho em longa-metragem foi Viva Voz, para o qual ela idealizou um filme com poucas cores, numa palheta que oscilou entre os verdes, vinhos e marrons. “Os cenários, a maquiagem e o figurino tiveram referência nos anos oitenta, sempre pensando em pouca luz e planos fechados para valorizar os diálogos e as saias justas pelas quais passam os personagens. Além disso, foram montados utilizando a parte de serviços dos estúdios da O2. Banheiros, escadas e galpões de contra regra foram maquiados e transformados para que se integrassem na idéia de uma confecção decadente, de segundo porte, nos arredores de São Paulo”, explica. E conclui: “Adorei participar de Viva Voz. E quero investir mais no cinema.”

TRILHA SONORA - PAUL MOUNSEY

Paul Mounsey, compositor, arranjador e produtor, foi criado nas terras altas da Escócia e formou-se no Trinity College of Music, de Londres, em composição e piano; e na London International Film School em composição para cinema. Depois de um curto período lecionando na Universidade de Londres, mudou-se definitivamente para o Brasil, onde, há 15 anos, vive e trabalha compondo e produzindo trilhas sonoras para publicidade, televisão, rádio e cinema, para os mercados brasileiro e britânico. Entre os diretores para quem já compôs, encontram-se Tony Scott, Michael Shapiro, Paul Giraud, Dariusz Wolski e Hugh Johnson. Mounsey também já trabalhou com Michael Nyman, Etta James, Chico Buarque, Jimmy Cliff, Tom Jobim e Olodum.

Considerado pela crítica um mago da música “etnotechno”, Paul Mousey lançou, ao longo dos últimos dez anos, quatro discos no Reino Unido, fundindo a música tradicional escocesa com a do Brasil. Aclamadas pela crítica, suas músicas, como, por exemplo as dos discos Nahoo (1994), Nahoo Too (1997) e Nahoo 3 (1999), já foram usadas em trailers de filmes de Hollywood, além de vários programas de televisão na Grã Bretanha e nos Estados Unidos. “Este projeto foi muito divertido. Viva Voz foi meu primeiro longa-metragem e me ajudou bastante a aprender a trabalhar no ritmo que um filme exige: muita música e pouco tempo. Estava há muito tempo querendo participar de um longa e finalmente consegui. E ainda bem que foi com o Paulo Morelli, uma pessoa ótima para se trabalhar”, comenta o músico.

SOBRE A PRODUÇÃO

“Ver Helen tentando se transformar de garota descolada em mãe é ao mesmo tempo hilário e comovente — é exatamente o estilo de Garry Marshall”, diz a atriz indicada ao Oscar® Kate Hudson e protagonista do novo filme Um Presente para Helen (Raising Helen), de Marshall. “Ele é genial para mexer com esses momentos da vida. Eles soam tão verdadeiros que você acaba simplesmente rindo. Ele é o diretor perfeito para este filme.”

“Eu gosto de comédia com drama e gosto de drama com comédia”, afirma Marshall. “Gosto de trilhar essa linha, de dirigir uma cena engraçada e depois uma cena séria. É possível dizer se você acertou vendo o público: você observa quando eles riem, quando eles choram e, se você conseguiu o equilíbrio certo, as pessoas acabam passando momentos agradáveis.”

“Kate é a atriz certa para este filme e Garry é o diretor certo”, elogia o produtor David Hoberman, que trabalha pela quarta vez com Marshall. “Kate é o tipo de atriz pela qual você torce desde o começo; e ninguém é melhor que Garry — ele tem uma incrível habilidade para criar um equilíbrio entre os momentos em que a platéia chora e os que ela ri. É um dom.”

“Ele é extremamente talentoso”, diz o produtor Ashok Amritraj. “Encontra o humor subliminar em cada situação humana; encontra um modo de transmitir a sensação de vida real. Muito poucos diretores conseguem trabalhar com comédia e drama; Garry faz os dois com perfeição. Este é um filme perfeito para ele.”

“Acho que, essencialmente, ele ama a vida”, continua Hoberman. Ele atrai pessoas e gosta de contar histórias, ele adora pessoas, especialmente crianças. Ele tem mais amigos que o adoram do que qualquer outra pessoa que já conheci.”

“Além disso, mantém o astral do set de filmagem alto”, acrescenta Amritraj. “Mantém os atores animados e felizes; melhor eu nunca vi. Algumas vezes você se pergunta como todo mundo pode se divertir tanto e ainda fazer filmes geniais. É ótimo trabalhar com ele.”

“Este é um roteiro maravilhoso”, diz Marshall. “É engraçado, comovente e, em última análise, é uma visão muito positiva de família. Também mostra o que pode acontecer quando a vida muda repentinamente, o que ocorre com freqüência.

“Surgem muitos filmes”, diz o veterano diretor, “mas no fim das contas você quer escolher algo que prenda sua atenção por um ano inteiro de sua vida. Eu sempre tive simpatia por pais solteiros. Tenho duas irmãs que são divorciadas com filhos e tenho muitos amigos nessa situação. É duro administrar uma família sozinho e, na minha opinião, o filme mostra uma mãe solteira de modo engraçado e positivo.”

Na escalação do elenco de Um Presente para Helen (Raising Helen), Hoberman, Amritraj e Marshall queriam uma atriz que pudesse, não apenas fazer os aspectos cômicos e dramáticos exigidos pelo papel, mas que também conduzisse o filme em cada cena. Eles encontraram isso na atriz Kate Hudson, que mostrou seu lado cômico-romântico no sucesso de bilheteria Como Perder um Homem em 10 Dias (How to Lose a Guy in 10 Days), assim como no papel mais dramático em Quase Famosos (Almost Famous), pelo qual foi indicada ao prêmio da Academia®. “Este é um papel que mostrará a versatilidade de Kate como atriz”, afirma Marshall. “Ela sabe caminhar no limite entre a comédia e o drama melhor que ninguém. Provou sua habilidade levando o filme e aparece em todas as cenas, todo dia. Colocamos muito sobre seus ombros e ela fez um trabalho incrível.”

“Existem certas pessoas que você guarda na memória da sua infância”, conta Kate. “Garry é uma delas. Eu me lembro de sentar no colo dele quando meus pais estavam fazendo um filme com ele — ele me deixava gritar “ação”. Fiquei entusiasmada por Garry querer me dirigir neste filme, 16 anos depois.”

“Cheguei num ponto em Hollywood em que conheço todo mundo, e também os filhos e os netos”, diz Marshall rindo. “Agora, quando Kate grita “ação” comigo, é a continuação do ciclo da vida.”

“Não há muita coisa para ensinar a ela sobre o set de filmagem”, continua. “Ela esteve a vida toda neles e instintivamente conhece bem o cinema. Havia algo especial nela quando criança e fico feliz que tenha seguido a carreira de atriz. Ela sempre tem um ângulo, um toque especial para cada cena, e, como eu, precisa fazer duas coisas ao mesmo tempo. Às vezes é difícil de acreditar que só tem 24 anos. Ela sabe muito para sua idade.”

“É impossível não ficar encantado pelo seu humor natural e por seu jeito adorável de ser que resplandece em seu desempenho”, elogia o produtor Hoberman. “Estávamos convencidos de que ela traria estas qualidades ao relacionamento com as crianças. Este papel lhe deu a oportunidade de crescer como atriz, como aconteceu com outra pessoa com quem trabalhamos há pouco tempo”, recorda ele sorrindo: “Julia Roberts em Uma Linda Mulher (Pretty Woman).”
“Kate claramente chegou como uma das estrelas mais promissoras”, diz Amritraj. “Precisávamos de uma atriz realmente talentosa para interpretar a ampla gama de emoções que o papel de Helen exigia. O calor humano, o senso de humor e o apelo de Kate foram perfeitos para o filme.”

“Eu adoro o personagem”, diz Hudson. “Ela é forte, mas vulnerável e engraçada. É um papel forte. Para minha idade, é raro aparecer um papel tão saboroso assim, especialmente um que passe por tamanha transformação.

“Mesmo no início, quando vemos Helen como uma garota agitada, antes de enfrentar todos os obstáculos, ela ainda está descobrindo quem quer ser”, continua Hudson. “Depois, quando começa a amadurecer um pouco, pode-se ver seu brilho interior.”

Como preparação para Helen, Hudson diz: “Acho que a preparação para este papel veio da minha forte unidade familiar. Nós sempre aprendemos que é possível encontrar graça em tudo e que se deve ter a capacidade de rir de si próprio, mesmo em momentos difíceis. Isso é uma enorme vantagem para ultrapassar quase tudo na vida.”

“Helen é um tipo de papel novo para mim — é um personagem que realmente precisa assumir bem mais responsabilidades”, explica Hudson. “Nós refletimos muito sobre isso, sobre a transformação pela qual ela deve passar. Isto aparece até nas roupas que veste — não iríamos convencer ninguém se Helen fosse uma mãe usando sapatos de salto 8. Ninguém é assim. Mas Garry sabe que isso poderia ser um ponto central para a comédia, conforme ela vai se distanciando do mundo materialista.”

Assim como Kate Hudson era ideal para Helen, Joan Cusack foi uma escolha unânime entre os cineastas para o papel de Jenny, a irmã mais velha de Kate.

Garry Marshall, que trabalhou pela primeira vez com Cusack em Noiva em Fuga (Runaway Bride) diz: “Joan tem um raro talento para interpretar a irmã chata — um personagem que pode obscurecer muitas pessoas — de um modo que a torna divertida e engraçada, até mesmo doce. É difícil achar a dose exata e ninguém faz isso melhor do que Joan.”

O produtor Hoberman concorda inteiramente e observa: “Algumas vezes, quando você escala o elenco de um filme, simplesmente sabe que está certo. E depois, na medida em que faz o filme, percebe que ninguém mais podia ter feito aquele papel. Joan é essa pessoa. Ela usa a medida certa de perspicácia para fazer à irmã certinha de forma a torná-la compreensiva e muito engraçada.”

Joan Cusack abraçou a oportunidade de criar o personagem que investiu a vida inteira em ser mãe. “Há alguma coisa nela que não é muito legal, e isso me agrada”, diz a atriz indicada ao prêmio da Academia®. “Jenny me lembra este momento especial da minha vida. Eu também sou mãe e gosto da idéia de interpretar uma mãe, que, embora não seja tão legal, evolui e acaba se tornando interessante por ser tão bem intencionada. Este papel aborda a importância de criar os filhos, o que, para mim, é a tarefa mais importante da vida. E eu acho que meu personagem faz isso com determinação e senso de humor.”

“Garry tem tanta alegria de viver que isso transparece em tudo que ele faz”, elogia Cusack. “Penso que grande parte das pessoas é profissional e quer fazer um bom trabalho, mas se divertir enquanto está realizando este bom trabalho é outra coisa. Torna o ambiente muito bom e criativo.”

John Corbett, que mais recentemente estrelou o filme independente, recordista de bilheteria, O Casamento Grego (My Big Fat Greek Wedding), assim como as séries aclamadas de televisão Sex & the City e Lucky, deu boas-vindas à oportunidade de trabalhar com Garry Marshall. O popular ator de cinema e de televisão faz o papel do pastor Dan.

“Chuck Minsky, que é cinegrafista de Lucky e de Um Presente para Helen (Raising Helen) me mostrou o roteiro e me indicou para interpretar o pastor Dan. Eu li o roteiro, liguei para Garry, nós nos encontramos e eu falei com Kate, e foi assim”, recorda Corbett. “Venho fazendo o meu trabalho há mais de 20 anos e foi a primeira vez que tive coragem suficiente de pegar o telefone, ligar para o diretor e dizer que queria fazer o filme. Foi muito legal.”

“Em meus filmes todos os homens têm que ser engraçados, bonitos, sensuais e, o mais importante, encantadores. John é tudo isso e… é muito alto. Acho que tem uns 2,10m de altura”, brinca Marshall.

Mesmo que a altura tenha sido um desafio para o casal no filme, suas personalidades combinavam perfeitamente. “Em última análise, eu realmente queria trabalhar com Kate” diz Corbett. “Eu sabia que iria me divertir contracenando com Kate — é como jogar tênis. Você quer jogar com alguém do seu nível, e desde que a vi em Quase Famosos (Almost Famous), sabia que queria trabalhar com ela algum dia.”

“Gosto de trabalhar com Kate”, elogia o ator. “Ela observa e usa tudo ao seu redor. Ela está sentada e de repente diz: ‘Olha aquele cara ali, olha o que ele faz com a perna.’ Algo que a maioria de nós jamais notaria em um milhão de anos. E ela acaba usando isso quando atua.”
Para interpretar as crianças que Helen subitamente vê sob sua responsabilidade, os cineastas escolheram três jovens e talentosos artistas. Hayden Panettiere, de 14 anos, para o papel de Audrey, e os irmãos Spencer Breslin e Abigail Breslin que imitam seu relacionamento na vida real no papel de Henry e Sarah.

Hayden Panettiere explica que Audrey é uma adolescente real com problemas reais dos adolescentes. “Seus hormônios estão fervendo e ela se muda para a cidade de Nova York”, explica. “Seus olhos se abrem um pouco e ela não é mais uma garotinha. Ela começa a sair com o grupo errado e é responsabilidade de Helen ser a mãe que Audrey precisa.
“Este é o primeiro trabalho em que faço o papel de uma adolescente”, diz Panettiere. “Meus papéis até agora tinham sido de meninas travessas — de rabo de cavalo, sem maquiagem e com roupas infantis. Estou feliz de fazer algo um pouco diferente desta vez, mas minha personalidade, eu acho, ainda é mais parecida com a de uma menina travessa.”
“Eu a chamo de Hayden Planetarium”, brinca Garry Marshall. “Nós procuramos uma garota de 16 anos que pudesse interpretar com personalidade. Não estávamos encontrando ninguém e então encontramos uma menina de 13 anos que era perfeita.”

Hayden Panettiere também ficou impressionada com o talento de seus jovens “irmãos”.

“Conheço Spencer e Abigail há muito tempo — nós morávamos em Nova York. Eles são incrivelmente profissionais e preparados — até mais que alguns adultos com quem já trabalhei.”
Spencer Breslin, que estrelou O Gato (The Cat in the Hat), é irmão de Abigail, sua parceira na tela e na vida real, que estrelou junto com Mel Gibson em Sinais (Signs). “Não é muito diferente”, diz o irmão mais velho Spencer. “Na verdade, é bem legal. Não é todo mundo que tem a chance de trabalhar com seus verdadeiros irmãos, interpretando irmãos”, continua o jovem, que trabalha em frente às câmeras desde os 3 anos.

Spencer é muito engraçado — é só dar a ele qualquer tipo de fala e ele a torna engraçada”, conta Garry Marshall. “E Abigail, você não lembra que ela é uma criança. Conheço atores adultos que tem dificuldade de fazer uma cena completa — uma tomada que inclui uma cena inteira — de uma só vez, mas Abigail sempre consegue. Os dois são muito profissionais.”

As cenas externas de Um Presente para Helen (Raising Helen) foram feitas inteiramente em Nova York, que, além de ser a cidade natal de Garry Marshall, também é uma das cidades mais coloridas do mundo. Filmar em locação é como interagir com a realidade, com o cotidiano da cidade, o que, neste caso, ajudou a criar, de modo convincente, o mundo de Helen. “Foi vitalmente importante para nós que as filmagens fossem feitas na cidade de Nova York”, explica Hoberman. “Era importante para a integridade da história mudar visualmente Helen de Manhattan para o Queens.”

O desenhista de produção Steven Jordan explica: “Uma das coisas de que gostei neste projeto foi que, por morar em Nova York, pude caprichar na precisão dos detalhes de todos os apartamentos, especialmente no Queens. Estava procurando o tipo de lugar em que você quase pudesse sentir o cheiro de curry e repolho. Era possível ter uma visão do Empire State Building do fim da rua do apartamento de Helen no Queens, o que para Helen era uma lembrança comovente da vida que levava antes. Quando reproduzimos o apartamento no estúdio, Garry freqüentemente parava no corredor antes de entrar no apartamento e ficava maravilhado com o quanto o cenário o fazia se lembrar de sua casa no Bronx, onde foi criado. Isso foi um grande elogio.”

As cenas feitas em Nova York levaram a produção pelas ruas de Manhattan até o bairro operário do Queens e de volta à realidade do local de trabalho de Helen no Soho. A história cria um arco sutil através da cidade. O apartamento de Helen em Manhattan foi filmado no Greenwich Village, e o Central Park Zoo tornou-se o pano de fundo das cenas entre Kate Hudson, John Corbett e as crianças. O Forest Hills no Queens serviu como a Escola Santa Bárbara, do pastor Dan, e o belo Battery Park é o local onde Helen, Dan e as crianças andam juntos perto da Estátua da Liberdade no final do filme.

“Foi ótimo filmar na cidade de Nova York — uma das melhores cidades do mundo”, diz Hudson. “Quando você filma nas ruas na primavera, à noite com todas as luzes, é uma experiência mágica — você pensa: ‘Uau, este é o melhor emprego do mundo.’ A cidade é muito viva e vibrante.”
A fotografia principal começou em Canoga Park, na Califórnia, que se tornou o endereço da Massey Motors, onde Hector Elizondo dá a Helen um emprego de vendedora de “carros previamente adquiridos.” Andando pela cidade, Garry Marshall filmou no restaurante La Boheme, na badalada West Hollywood; o Pickwick Ice Center de Burbank, é onde John Corbett e Kate Hudson fazem piruetas românticas no gelo; a First Presbyterian Church de Hollywood tornou-se o escritório do pastor Dan e o campus da escola de Audrey, Henry e Sarah. A produção também trabalhou nas ruas residenciais de South Pasadena, onde a casa de Lindsay no subúrbio ganhou vida e também em vários estúdios da Universal.

ELENCO - KATE HUDSON (HELEN)

Vencedora do Globo de Ouro, indicada ao prêmio da Academia® e recentemente mãe, KATE HUDSON (Helen) estrelou como Andie Anderson, o grande sucesso de bilheteria Como Perder um Homem em 10 Dias (How To Lose A Guy In 10 Days), contracenando com Matthew McConaughey e posicionou-se como uma das mais populares e requisitadas jovens atrizes de Hollywood. Seu desempenho em Quase Famosos (Almost Famous), de Cameron Crowe, rendeu-lhe o Globo de Ouro, uma indicação ao Oscar®, na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante e uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Atriz, bem como inúmeros outros prêmios e homenagens em todo o mundo. Sua estréia no cinema foi em 200 Cigarros (200 Cigarettes), com Ben Affleck, Courtney Love e Christina Ricci, e em seguida, co-estrelou ao lado de Christina Ricci e Casey Affleck, Uma Aventura no Deserto (Desert Blue), de Morgan J. Freeman e o drama psicológico Intrigas (Gossip). Fez o papel da filha de Richard Gere em Dr. T. e as Mulheres (Dr. T and the Women), do diretor Robert Altman e foi vista em As Mulheres de Adam (About Adam), ao lado de Stuart Townsend e Frances O’Connor.

Kate Hudson co-estrelou com Heath Ledger e Wes Bentley Honra e Coragem – As Quatro Plumas (The Four Feathers), sob a direção de Shekhar Kapur. No verão passado, estrelou a comédia contemporânea À Francesa (Le Divorce), de Merchant-Ivory e Alex e Emma (Alex & Emma), de Rob Reiner. Em breve, será vista em Skeleton Key.

Além de atriz, ela é executiva da Cosmic Entertainment, uma empresa de produção que engloba sua própria produtora, a Birdie Productions, bem como as produtoras de Goldie Hawn, Kurt Russell e Oliver Hudson. A empresa vem desenvolvendo e produzindo ativamente vários projetos para o cinema e a televisão.

ELENCO - JOHN CORBETT (PASTOR DAN JENKINS)

O ator indicado ao Emmy JOHN CORBETT (Pastor Dan Jenkins), estrelou mais recentemente como Ian Miller em O Casamento Grego (My Big Fat Greek Wedding), contracenando com Nia Vardalos. O filme, dirigido por Joel Zwick e produzido por Rita Wilson, Tom Hanks e Gary Goetzman, conquistou seu lugar na história do cinema como um dos filmes independentes mais bem-sucedidos de todos os tempos.

John também é conhecido como o sensual Aidan Shaw, ao lado de Sarah Jessica Parker em Sex & the City, da HBO, tendo sido indicado ao Emmy em 2002 por seu desempenho. Mais recentemente, estrelou a série de ficção Lucky. Na temporada de férias de 2001 foi visto em Escrito nas Estrelas (Serendipity), da Miramax, com John Cusack e Kate Beckinsale. E também é a voz da General Electric.

John Corbett sempre será lembrado como o DJ Chris Stevens da série Northern Exposure, da CBS, tendo sido indicado ao Emmy e ao Globo de Ouro por este trabalho. Nos últimos dez anos, vem trabalhando consistentemente em todas as mídias.

Nascido e criado na Virginia, mudou-se para a Califórnia onde conseguiu um emprego numa siderúrgica. Trabalhou na fábrica por seis anos até que um acidente o forçou a parar. Ao mesmo tempo, vinha cursando a universidade local e decidiu assistir a uma aula de teatro de um amigo. Enquanto assistia à aula, foi convidado para subir ao palco para um exercício e ficou encantado com o ofício. Atuou em diversas produções teatrais estudantis quando o professor de interpretação percebeu seu talento e o encorajou a seguir a carreira de ator.